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Entrevista com Luciano Huck

Eu gosto muito do Luciano Huck, acredito que ele é hoje um dos melhores apresentadores da TV, mostrando verdade naquilo que ele apresenta, e com sentimentos sinceros de que gosta de gente, e gosta do que faz. Não é à toa que ele conseguiu ser uma das figuras mais queridas de 3 públicos bem distintos: o público que o assiste, os anunciantes e as agências de publicidade.

Vocês podem estar estranhando porque eu estou publicando aqui um trecho da entrevista que ele concedeu à Meio & Mensagem (com todos os créditos devidos, claro), mas acho que ele é um exemplo a ser seguido, ou pelo menos a se inspirar, na maneira como conduz um negócio, como se relaciona com anunciantes, etc. Aí vão os trechos que considerei mais interessante para você, meu leitor.

Meio & Mensagem ›› Nos últimos anos, é possível observar que o formato das ações de merchandising no Caldeirão do Huck evoluiu bastante. Em que você contribui para isso?

Luciano Huck ›› O departamento comercial da TV Globo tem uma relação tão estreita com a produção do nosso programa que, sem isso, eu não faria o Caldeirão. A gente conseguiu criar formatos de trabalho que não ferem os princípios da TV Globo e que, ao mesmo tempo, conservem uma total independência da produção em relação à comercialização. Hoje, se algum anunciante procurar um espaço para uma ou duas ações no programa, ele não encontra. E também isso nem me interessa, pois a gente vive de projetos: temos grandes marcas que trabalham conosco o ano inteiro. Acho que estamos trilhando um novo caminho, no que diz respeito ao merchandising.
Meio & Mensagem ›› A promoção que vocês desenvolveram recentemente com a P&G é um exemplo disso? (a companhia, através da Gillete, fez uma promoção que levou a equipe do Caldeirão para uma viagem e se desdobrou em outras ações). Como é a sua relação com essa marca e com projetos desse tipo?
 
Luciano Huck ›› A relação com a P&G, especificamente, é incrível porque é um triângulo muito bem feito entre a marca, a Africa/Rio (escritório da agência do Grupo ABC aberto em julho deste ano), que vem trabalhando brilhantemente, e o departamento comercial da Globo. Juntos, eles têm a missão de encontrar novas formas de fazer product placement que seja claro, mas que tenha um conteúdo envolvido. No caso da Gillette, deu tudo certo porque nós, da produção, queríamos mostrar Las Vegas ao telespectador e eles (a P&G) queriam promover a cidade como o destino da promoção. E foi ótimo; teve um desfecho bem legal, que envolveu a participação do boxeador Mike Tyson. Isso mostrou que a boa relação entre comercial e conteúdo pode potencializar a produção (leia mais detalhes sobre a participação de Tyson aqui).
Meio & Mensagem ›› As marcas que aparecem no seu programa já são anunciantes do Caldeirão há muitos anos. Você preza essa relação de fidelidade?

Luciano Huck ›› Muito. Temos grandes projetos de longo prazo com a P&G, Itaú, Coca-Cola, Ricardo Eletro. Dentro de quadros como o Lar Doce Lar, por exemplo, os anunciantes também são os mesmos há anos, como Suvinil Tok & Stock, Telhanorte, Brasilit, assim como o Lata Velha tem Mobil, Goodyear, Esso há muitos anos. Ninguém sai – o que é ótimo.

Meio & Mensagem ›› Além de saber dominar bem o palco, você considera que se relacionar bem com os anunciantes também seja um pré-requisito para um apresentador de TV?
 
Luciano Huck ›› Essa relação é muito delicada e não pode ser prostituída. Na TV Globo, acredito que isso funcione bem pelo fato de as coisas serem estanques: a Central Globo de Produções é separada da Central Globo de Jornalismo, que é estanque do comercial. O que acho que está mudando é que o product placement, a ação de merchandising nos programas de entretenimento, está ficando mais maduro, mais sofisticado. Acho que as agências, agora, estão começando a pensar nisso e o Nizan (Guanaes, presidente do Grupo ABC) teve uma participação muito importante nessa evolução ao criar uma operação como a Africa/Rio, que tem a função de fornecer uma roupagem diferente a uma coisa tão clássica quanto o merchandising.

Meio & Mensagem ›› Você acha que o espectador ainda tem rejeição de ver marcas misturadas no programa ao qual ele está assistindo?
 
Luciano Huck ›› Ninguém aceita ser enganado. É preciso deixar claro que aquilo é uma propaganda, que você está avalizando o produto. E é por isso que não deve valer a máxima do dinheiro a qualquer preço. No Caldeirão do Huck, especificamente, eu tenho o direito de falar não. Eu só digo sim para produtos que eu conheça e possa avalizar, como o Itaú, a P&G, que são serviços e produtos que uso. Não escondo nenhum merchandising.
Meio & Mensagem ›› E por quais critérios você disse esses “nãos”?

Luciano Huck ›› Eu digo não quando não conheço o produto ou quando a marca quer apenas fazer duas ações e ir embora. Isso não é interessante, pois eu não vou ficar avalizando um produto se ele não participar do nosso projeto, se não tiver a mesma filosofia do programa. Tenho até um exemplo bom disso que é o da Coca-Cola, que está conosco há um ano. Na nossa primeira reunião, levamos a nossa equipe e estava presente todo o time da Coca-Cola do Brasil. Quem nos fez a apresentação da marca foi a Claudia Lorenzo, que é a superintendente do Instituto Coca-Cola, e ela nos disse que o programa que mais tinha a ver com as premissas da marca era o nosso. Então, entramos na Coca via Instituto, por uma sinergia que foi além do produto.
(...)
Meio & Mensagem ›› Como figura atuante do universo televisivo, você deve ouvir muitas opiniões e comentários sobre a ameaça da queda da audiência televisiva. O que você acha que realmente vem ocorrendo com o consumo de mídia?

Luciano Huck ›› Não acho que isso seja verdade. Na história do Brasil, nunca se assistiu tanta televisão e nunca se ouviu tanta música. Hoje você entra em um ônibus e percebe que, das 60 pessoas que estão ali dentro, 40 estão ouvindo música. E televisão é a mesma coisa. O que está havendo é uma maior segmentação (por conta da TV a cabo e de outras mídias), mas não acho que a internet, por exemplo, seja uma concorrência para a TV. Acredito que são coisas complementares. Eu, pessoalmente, acredito que tanto faz o formato de distribuição: o que sempre vai imperar é o bom conteúdo. Mas não acredito, por exemplo, que essa grade que temos hoje será a mesma daqui 15 anos.
Meio & Mensagem ›› Como assim?
 
Luciano Huck ›› Acredito que a novela das nove, por exemplo, será assistida na hora que o cara quiser. Ele não vai precisar esperar até as 9 da noite para ver. Acho que, em médio prazo, a TV Aberta se fortalecerá muito nos programas ao vivo, nas transmissões esportivas, enfim, nas atrações que, se a pessoa não participar naquele exato momento, ela perde. Já os conteúdos de dramaturgia, entretenimento, serão programados para serem vistos na hora em que a pessoa quiser. Será uma mudança da forma de consumo de conteúdo, mas sem deixar de consumi-lo.
Meio & Mensagem ›› Em que a TV aberta brasileira precisa melhorar?
Luciano Huck ›› Acho que a TV Globo criou um modelo de produção muito próprio, que á autossuficiente em todo o ciclo, e acho que a concorrência acabou copiando esse modelo. Mas acho importante que a concorrência seja cada vez mais estruturada e competente, pois isso é ótimo para o mercado, para a publicidade e para os profissionais de TV. O que percebo é que o mercado de produção independente no Brasil não foi fomentado nos últimos 30, 40 anos. Mas, com essa mudança na legislação (Lei nº 12.485, que regulamenta um mínimo de conteúdo nacional nos canais pagos), essa indústria também deverá crescer e isso será bom para todo o mercado.
Meio & Mensagem ›› Quais as atividades atuais do empresário Luciano Huck?

Luciano Huck ›› Quando cheguei à Globo, há 12 anos, eu tinha um monte de coisas: duas rádios no Rio de Janeiro, hotel em Fernando de Noronha, restaurante em São Paulo etc. Como já tinha percebido que a minha paixão mesmo é a televisão, decidi vender tudo o que eu tinha, para poder me concentrar somente dentro dos muros do Projac. Aí, o tempo foi passando e eu tive a ideia de fazer um fundo, que é tocado por uma equipe, como se fosse umventure capital, para captar projetos de internet e de comportamento. Então, detectamos bons negócios, feitos por pessoas talentosas, que precisem de visibilidade ou de suporte e investimos nisso. Nesse fundo, que se chama Joá, temos diversas empresas, algumas com participação menor e outras maiores, como o Peixe Urbano, que é um case de super sucesso, e o Use Huck, um site de comercialização de camisetas, em parceria com a Globo.com.

Meio & Mensagem ›› Como estão os trabalhos da sua ONG, o Instituto Criar?
 
Luciano Huck ›› O Criar (do qual o Meio & Mensagem é parceiro), nasceu há nove anos, a partir de uma vontade pessoal de contribuir com o mercado audiovisual, gerando empregos para os jovens que pretendem atuar nos bastidores das produções, detrás das câmeras. Hoje, estamos na oitava turma – já formamos 1,5 mil jovens, conseguindo empregar 82% deles no mercado formal de trabalho, com salário médio de R$ 1 mil. Mas, apesar de ser uma ONG, eu trato o Criar com uma gestão 100% profissional: não tenho voluntários ali, pois, como trabalho com dinheiro de terceiros, preciso ter resultados claros. Agora, montamos a Usina Criar, que permite com que ex-alunos utilizem nossa estrutura para projetos pessoais deles; fizemos também um projeto chamado Vídeo na Escola, direcionado às escolas públicas. A ideia, agora, é multiplicar os impactos do que fazemos. Não é tão fácil expandir o instituto porque a captação de patrocínio junto às empresas ainda é algo difícil no Brasil. Mas acredito que isso mudará porque as empresas já estão vendo que o investimento no Terceiro Setor faz parte das estratégias de marketing e isso agrega um valor altíssimo para as marcas. As ONGs, hoje, são as maiores incubadoras de políticas públicas, com muitos trabalhos bacanas e muita gente séria.

Meio & Mensagem ›› Você é um dos brasileiros mais populares das redes sociais. Como administra isso?

Luciano Huck ›› Tenho mais de 4 milhões de seguidores no Twitter (@LucianoHuck) e 3,5 milhões no Facebook. Como antes de fazer TV eu atuei no rádio, já conhecia essa relação imediata e próxima com o público. Acho que a rede social tem esse mesmo charme. Ali eu me informo, procuro conteúdo para o programa, sinto a temperatura das coisas. Adoro estar presente nas redes. E nesses anos de uso de Facebook e Twitter eu nunca bloqueei ninguém. Cada um pode falar o que quiser, eu não discuto. Acho ótimo.
Meio & Mensagem ›› Essa atitude, inclusive, reforça a imagem de ‘bom moço’ que a mídia, no geral, faz de você - seja pela ajuda que você dá às pessoas em seu programa, pelo seu casamento bem-sucedido com a apresentadora Angélica etc. Você considera esse rótulo positivo?
 
Luciano Huck ›› Para ser sincero, eu não forço a barra em momento nenhum. Como estou num processo de amadurecimento, pode ser que um dia eu até canse de fazer tudo isso e queira ir morar no Ceará, sei lá. Hoje a minha vida e o que faço são transparentes, verdadeiros. Não faço isso para ninguém, mas para mim mesmo. Tenho prazer em rodar o Brasil inteiro e abastecer meu database de experiências. Acho que tudo isso colabora para me tornar um cara mais maduro e para melhorar meu discurso em relação às coisas em que eu acredito.

Meio & Mensagem ›› Quais seus planos para os próximos anos?
Luciano Huck ›› O Caldeirão tem a vantagem de ser um formato no qual cabem vários outros formatos. Então, ele acaba saciando todas as minhas vontades de inventar. Pretendo continuar fazendo o que faço ali, na televisão.
(...)
E se quiser ler a entrevista completa, acesse por aqui (mas ela está quase completa por aqui): http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2011/11/21/Luciano-Huck-por-dentro-do-Caldeirao.html

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